terça-feira, 29 de julho de 2014

Cuidando de Mim Mesmo

            Olá de novo. Desculpe a demora, os erros no post anterior e todo o resto que irei fazer daqui pra frente. Eu estou de férias do trabalho e me dando mais alguns dias de férias do cursinho, não para escrever, mas para descansar, eu realmente não ficarei escrevendo todos os dias, como já percebeu, até porque não estou escrevendo a ninguém em especial, apenas há você que como disse antes não deveria estar aqui, então não tenho motivo para ser tão pontual com as postagens.
            Voltando a história...
            Com a mudança a minha vida se viu muito diferente, é claro que eu tinha 6 anos e não ligava para muito coisa, mas eu iria sentir falta da escola e dos meus 5 amigos, além de ter uma grande aproximação com poucos entes da família do meu pai, coisa que eu perderia por completo. Com a mudança veio o falatório, o que me fez odiar (ou esquecer) boa parte da família do bêbado do meu pai, então assim eu segui minha vida.
            Eu morava em uma rua no subúrbio, em uma casa alugada de frente a uma pequena pracinha de árvores não muito altas, com um córrego ao final da rua, a casa tinha dois andares sem pintura ou acabamento, sendo que o segundo andar era alugado por uma família com 3 filhos, o mais novo da minha idade que se chamava Rafael, gordinho, meio bobo e afeminado.
Nessa época eu era bastante tímido e não conseguia falar com as pessoas, muito menos com meninos, com facilidade, então na rua vendo 4 meninas brincando de amarelinha fui me aproximando e fiz minhas primeiras amizades, a Vanessa, tinha a minha idade, cabelo loiro, grande e bagunçado e era irmã de outra menina, além de prima de mais uma. Nesse mesmo dia conheci o melhor e o pior do subúrbio, tinham meninos brincando de alguma brincadeira de correr, não lembro qual, na subida da rua, enquanto eu e as meninas brincávamos em frente a minha casa, quando de repente um menino com a pele corada e pincelada de rosa, bochechudo, cabelo preto grosso arrumado para o lado, desceu a rua correndo com mais outro menino em seu pé, os dois ficaram me encarando pular as casas da brincadeira e do nada apontaram para mim e começaram a me gritar “boiola” pela rua.
            Esse foi meu primeiro encontro com a homofobia, um choque na verdade, os garotos deveriam ter a minha idade, e apenas por serem crianças idiotas acharam que era legal me humilhar na frente dos outros, todos começaram a rir, menos a Vanessa, nisso eu não agüentei segurar e o choro veio como um berro, o que só fez eles gritarem mais alto, trazendo mais alguns meninos com eles, a Vanessa, me pegou pelo braço e me ajudou a ir pra casa, e assim começamos uma amizade que vocês verão bastante por aqui.
            Nos primeiros 6 meses morando ali, eu não saia muito de casa, ia brincar na pracinha as vezes com a Vanessa, mas como a minha mãe trabalhava, eu passava mais tempo na casa da mãe de meu padrasto, que cuidava de mim. Lá além da mãe e do pai do meu padrasto, moravam mais 3 irmãos deles, sendo uma mulher e suas duas filhas, Dayane e Doddi, no começo eu achava elas legais e ficava bastante animado para ir até a casa delas e brincar, porém a situação mudou.
            Primeiro tudo o que acontecia naquela casa era culpa minha, eu era pequeno e magricela, e as meninas gordinhas, mas quase da mesma idade que eu, e sempre que algo que incomodava a mãe e a avó das meninas acontecia, o culpado tinha que lavar toda a louça, além de arrumar as camas de todo mundo e lavar o banheiro, então o abuso começou assim se alguém quebrava alguma louça, a culpa era minha, se alguém esquecia o leite na panela e ele queimava a panela, a culpa era minha, se algum brinquedo novo das meninas quebrava, a culpa era minha, e eu era obrigado a fazer todas as tarefas, mesmo não dormindo lá e ficando somente até antes do jantar. Com o passar do tempo eu passei a ter medo de andar com as meninas, já que eu seria culpado de tudo e fiquei indo atrás da avó e da mãe das meninas em todo lugar, porém adivinhem, isso também as incomodava, e elas passaram a deixar as regras de lado, e eu fui obrigado a fazer todas tarefas sem ajuda durante dois meses, você deve se perguntar, porque não contei a minha mãe, mas situação não era fácil e vou te contar porque.
            Meu padrasto assim como a minha mãe havia a pouco se separado de uma mulher com quem teve duas filhas, deixando as filhas de lado para ficar com a minha mãe, então isso acabou sendo um choque para a família dele, tanto quanto para a minha, já que ele não podia ter as filhas, mas minha mãe podia ficar comigo. Sendo assim, sua mãe se ofereceu para cuidar de mim, recebendo para isso, mas mais porque poderia se vingar em mim, assim eu ia agüentando já que sabia que qualquer coisa poderia estragar a relação dos dois e o medo de voltar a morar com alguém como meu pai me consumia em sonhos.
            Já que a situação só podia piorar, eu comecei a me tornar meio rebelde depois de dois meses fazendo tudo sozinho, deixava a louça cair de propósito, a cama mal arrumada, e banheiro sujo, isso era sempre seguido de reclamações, gritos e empurrões, o que me consumia em ódio à aquela família, mas nunca me impondo de fato, já que eu era a criança e elas os adultos, porém uma vez eu quebrei o copo preferido de uma das meninas, e a mais velha Dayane, partiu pra cima de mim, ela me dava socos e eu tentava me defender, mas não conseguia, então a mãe dela viu o que ocorria e ao invés de separar, me levantou tirou a minha camisa amassada, me segurou de costas de deixou as meninas me baterem, eu gritava de dor, e nem a avó, nem a irmã mais nova vinham me ajudar, após ficar com as costas em sangue, me deu um banho quente, eu quase desmaiando de dor, passou a camisa amassada e falou com todas as letras que tinha contado a minha mãe e ela havia dito que se eu reclamasse quem iria me bater agora seria ela.
            Nesse dia fui para casa calado, nesse momento algo tinha crescido dentro de mim, além da raiva, da humilhação, um medo, antes guardado e reservado ao meu pai passava a ser transferido também há minha mãe, passei então a não deixar ela me ver tomando banho já que a dor nas costas era horrível e eu chorava muito, além de me afastar muito dela, que até então não percebia nada de diferente.
            Chegando o terceiro mês, eu enlouqueci, era tarde o céu estava perto de escurecer, minha mãe chegaria em no máximo duas ou três horas, as meninas me chamando de “viado” e outros adjetivos pouco educados do quintal da casa, eu me enfureci, caminhei em passos largos até aonde elas brincavam, agarrei a minha nova pelo cabelo, enquanto a outra estava de costas e bati a cabeça dela na parede, tudo com a força de uma criança de 6 anos, a irmã vendo o que acontecia pulou em mim e nós saímos rolando pelo chão eu puxando o cabelo dela com uma mão e dando tapas com a outra, ela tentando me enforcar, encontrei então um tijolo solto próximo a parede e a acertei na cabeça, a mãe dela quando ouviu a confusão veio nos ver e ao ver as duas filhas jogadas no chão e eu com um tijolo laranja na mão voltou para dentro, eu estava prestes a fugir, mas a irmã tijolo me segurou pelos pés e me fez cair, a mãe dela me pegou pelo braço e com terror nos olhos eu o vi, um cinto, marrom, grosso e afivelado. Ela me segurou em seu colo com a barriga para baixo, eu me debatia, mas se as filhas eram gordas vocês imaginam a mãe, certo? Eu gritava, mas ela dizia que quanto mais eu gritasse mais cintadas eu levaria, no total, foram 33 nas costas, não na bunda, as mesmas costas que já sofriam os as arranhadas, socos e tapas da última vez, minha pele ardia, mas eu não chorava, estava aturdido, novamente ela me deu banho e colocou outra roupa em mim, dizendo a minha mãe que a roupa antiga eu havia sujado brincando no barro. Foi nesse momento que eu a vi, eu não agüentei, minha mãe sorria para mim, e meu olhar perdido em lembranças de uma das noites em que meu pai bateu nela, com lágrimas nos olhos eu virei de costas e tirei a camisa.


Ps. A vadia da irmã do meu padrasto disse que as meninas fizeram isso comigo, e que nós brigamos por besteira, eu contei tudo a minha mãe e ao meu padrasto desde o início, mas como eu já mentia bastante nessa idade eles não acreditaram em mim, é claro que vendo o estado das minhas costas eles não permitiram que eu voltasse a ir para lá, então contrataram uma babá para cuidar de mim até eu começar a ir para escola.

Pss. Talvez eu volte ainda essa semana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário